Mercado de atuação

Segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o volume global comercializado de etanol, no acumulado de abril de 2014 a março de 2015, alcançou 25,17 bilhões de litros, praticamente o mesmo valor contabilizado no mesmo período do ano-safra anterior – 25,67 bilhões de litros. Deste volume, 23,67 bilhões de litros direcionaram-se ao abastecimento interno (alta de 2,45% sobre o resultado da última safra), sendo 9,62 bilhões de litros de etanol anidro e 14,05 bilhões de litros de etanol hidratado.

As exportações acumuladas totalizaram 1,50 bilhão de litros na safra 2014/2015, registrando expressiva queda de mais de 1 bilhão de litros sobre o montante exportado no ciclo 2013/2014 (2,57 bilhões de litros). Os EUA são o principal destino das exportações de etanol, respondendo por mais de metade do volume exportado pelo Brasil.

Com relação à moagem, os dados finais da região Centro-Sul do Brasil apontam para moídas 571,34 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2014/2015, uma redução de 4,31% sobre as 597,06 milhões de toneladas processadas na safra anterior.

A produção de açúcar alcançou 31,99 milhões de toneladas, retração superior a 2,30 milhões de toneladas sobre o resultado do ciclo agrícola anterior (34,29 milhões de toneladas).

Em contrapartida, o volume fabricado de etanol aumentou 2,23% no período, totalizando 26,15 bilhões de litros. Este aumento decorre da ampliação do mercado de etanol hidratado, cuja produção atingiu 15,39 bilhões de litros - contra 14,57 bilhões de litros na safra 2013/2014. Em relação ao etanol anidro, o volume fabricado somou 10,75 bilhões de litros.

As condições climáticas e de produtividade agrícola observadas entre as regiões produtoras foram bastante heterogêneas, segundo o balanço divulgado pela Unica. O longo período de estiagem prejudicou a produtividade agrícola da cana-de-açúcar colhida, com destaque para o Estado de São Paulo. A queda acumulada, até 01/12/2014, era de 7,8% para toda a região Centro-Sul, sendo 12,1% em São Paulo e 1,2% nos demais estados dessa região. 

Perspectivas da Unica para o setor para na safra 2015/2016

O mercado de etanol, que tem enfrentado dificuldades econômicas desde 2008, aposta em melhoras para 2015. O setor busca reforçar o diálogo com o governo federal, além de conseguir avançar no estabelecimento de uma política de longo prazo para o biocombustível.

De acordo com o estudo da Unica, a competitividade do etanol hidratado deve elevar-se ao longo dessa safra, principalmente em virtude das novas alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em relação ao etanol e à gasolina em Minas Gerais, modificadas em fevereiro de 2015:

  ICMS HIDRATADO ICMS GASOLINA PROPORÇÃO
DA FROTA LEVE*
PROPORÇÃO CONSUMO HIDRATADO*
SÃO PAULO 12% 25% 30% 58%
MINAS GERAIS 14% 29% 10% 6%
PARANÁ 18% 29% 4% 7%
GOIÁS 22% 29% 7% 9%
TOTAL     52% 81%

*proporções calculadas a partir dos valores apurados em 2014 – Fonte: ANP e Unica

Já a ampliação do nível de mistura do etanol anidro na gasolina para 27%, que passou a vigorar a partir de março de 2015, demandará um volume adicional de cerca de 1 bilhão de litros do produto na safra 2015/2016. Essa demanda adicional representa cerca de 15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

 

Volta da Cide

No início de 2015, visando especialmente a um reforço dos cofres da União, o governo federal reviu a alíquotas de PIS/COFINS incidente sobre a gasolina, e retomou a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), no valor de R$ 0,10/litro, sobre esse combustível fóssil. Somados, estes ajustes representam aumento de R$ 0,22/litro no valor da gasolina – expansão da competitividade do etanol hidratado em cerca de R$ 0,15/litro.

Apesar do otimismo do setor com as novas medidas, a Unica ainda estima que dez unidades produtoras poderão fechar devido à difícil condição financeira. Desde 2008, cerca de 80 usinas já fecharam as portas no Brasil. Além disso, no País, são 67 unidades em recuperação judicial (considerando as usinas em operação e aquelas inativas).

Açúcar

Com relação ao setor de açúcar, a tendência é de reversão do quadro superavitário no mercado mundial. A desvalorização do Real deve fortalecer a receita com a exportação do produto.

Sobre a Unica

A Unica é a maior organização representativa do setor de açúcar e bioetanol do Brasil. Sua criação, em 1997, resultou da fusão de diversas organizações setoriais do Estado de São Paulo, após a desregulamentação do setor no País. A associação se expressa e atua em sintonia com os interesses dos produtores de açúcar, etanol e bioeletricidade, tanto no Brasil como ao redor do mundo. As mais de 120 companhias associadas à instituição são responsáveis por mais de 50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil.